(Fonte: FEBRASGO – Manual de Orientação Mastologia)

O câncer de mama é a forma de câncer mais comum entre mulheres de países industrializados, perfazendo aproximadamente, 18% de todos os tumores femininos. Embora a mortalidade esteja diminuindo em alguns países o câncer de mama ainda representa a causa mais frequente de mortes em mulheres entre 35 – 55 anos. O câncer de mama é uma patologia de origem multifatorial provocada por mutações nas células mamárias, sem uma etiologia de nida. Entretanto, podem-se relacionar fatores de risco ligados a aumento na incidência. Fator de risco é qualquer fator que modica a chance para adquirir uma determinada patologia. Esses fatores podem ser modi cados, ou não, por hábitos de vida.

Fatores de risco para câncer de mama:

História familiar:

Aproximadamente 20% das mulheres que desenvolvem câncer de mama apresentam história familiar para a doença. Considera-se história familiar positiva a manifestação da doença em familiares femininas de 1o grau, sendo que o risco encontra-se aumentado em duas a três vezes em mulheres que apresentam familiares de 1o grau com câncer de mama. O risco está aumentado, porém, em menor extensão, em mulheres com familiares de 2o grau acometidos pela doença. Ainda, o risco é particularmente maior se o familiar afetado pertence ao lado materno da família, se dois familiares de 1o grau têm a doença, se o familiar tem câncer de mama bilateral e se o diagnóstico de câncer de mama no familiar aconteceu antes dos 50 anos. 
Cerca de 5 – 10% dos cânceres de mama apresentam transmissão hereditária, sendo as mutações mas comuns as deleções de BRCA 1 e BRCA 2, genes supressores tumorais. O câncer de mama em mulheres abaixo dos 30 anos apresenta componente gené- tico em 25% dos casos.

Patologia mamária prévia:

As lesões proliferativas sem atipia apresentam risco relativo de 1,5 – 2,0 vezes enquanto as lesões proliferativas com atipias apresentam risco relativo de 4,0 – 5,0 vezes. As lesões não proliferativas não estão associadas a aumento na incidência da doença.

Fatores Reprodutivos e Hormonais:

O risco de câncer está relacionado com a duração da fase reprodutiva da mulher, devido a um aumento no tempo de exposição ao estímulo estrogênico. Dessa maneira, mulheres que começam a menstruar antes dos 12 anos ou aquelas que entram na menopausa em idade superior aos 55 anos apresentam risco aumentado. Contrariamente, a menopausa precoce artificial por realização de ooforectomia bilateral (retirada de ambos os ovários) na faixa etária anterior aos 35 anos diminui consideravelmente o risco de apresentar a doença, devido à redução do estímulo hormonal. Isso explica, em parte, o efeito protetor de uma primeira gravidez precoce na medida em que ocorre redução dos ciclos menstruais. 
Por outro lado, mulheres que nunca gestaram ou tiveram a primeira gestação após os 30 anos, apresentam risco maior para o desenvolvimento desta patologia

Dieta:

Há discordâncias entre os estudos realizados, não sendo clara a associação da ingesta de gorduras e o aumento do risco de câncer de mama. Contudo, a substituição de gorduras saturadas por gorduras monoinsaturadas pode ajudar a diminuir o risco de câncer de mama, por conter em suas fórmulas ácidos graxos Ômega 3 e Ômega 6. Con rmando isto, uma dieta rica em peixe parece ter efeito protetor sobre o câncer de mama.

Atividade física:

A atividade física tem sido considerada fator de proteção contra o câncer de mama. Essa associação estaria ligada a redução dos níveis de estrogênio e progesterona, assim como à atividade proliferativa das células da glândula mamária. Mulheres que se exercitam de uma a três horas por semana reduzem seu risco de câncer de mama em 30% comparativamente às sedentárias e, aquelas que praticam atividade física 4 horas por semana reduzem o risco em 50%. O efeito foi maior em mulheres que tinham ao menos um filho.

Obesidade:

A obesidade está relacionada a risco aumentado para câncer de mama, principalmente na pós-menopausa. Quanto maior o índice de massa corpórea, maior o risco para o desenvolvimento da patologia . Além disso, dados sugerem aumento nos índices de recidiva de câncer de mama relacionado à obesidade.

Fitoestrogênios:

São medicamentos botânicos, ou seja, preparações derivadas de plantas, com ação biológica e estrutura química, semelhantes às do estrogênio, podendo interferir nas ações deste hormônio. O principal representante é a isoflavona. O alto consumo de alimentos ricos em fitoestrogênios, como frutas e verduras frescas, óleos vegetais e derivados dos grãos de soja tem sido relatado como protetores do câncer de mama. Porém, as evidências atuais não permitem concluir que o uso de proteína de soja ou suplemento de isoflavona possa diminuir o risco para câncer de mama.

Uso de Contraceptivo Oral e Terapia Hormonal:

De acordo com o estudo CASH (Cancer and Steroid Hormone Group) não está comprovada a associação entre uso de contraceptivo oral e câncer de mama. Outros estudos demonstram risco pequeno para mulheres jovens que utilizam contraceptivos orais por períodos prolongados de tempo (maior de 10 anos). Porém, existem poucas evidências indicando que a abolição do uso do contraceptivo oral teria efeito significativo e importante nas taxas de incidência de câncer de mama. 
Por outro lado, existem diversos estudos relacionando a Terapia Hormonal com a gênese do câncer de mama. Um fator a ser considerado é o tempo de uso. O Women’s Health Initiative (WHI), estudo prospectivo que acompanhou mais de vinte e sete mil mulheres americanas, observou tendência ao aumento do câncer de mama, com a associação estrogênio + progestagênio por 5 anos apresentando risco relativo de 1,26, o que representa oito novos casos a cada dez mil mulheres por ano.

Indicações para Aconselhamento genético no câncer de mama:

– Mais que dois parentes de primeiro grau com câncer de ovário ou de mama
– Parentes de primeiro grau com câncer de mama bilateral
– Duas ou mais gerações afetadas
– Múltiplos tumores primários, de mama ou outros locais
– Câncer de inicio precoce (antes dos 45 anos)
– Familiares com ataxia telangiectasia
– Histologia pré-maligna em biópsia mamária
– Familiares com mutação genética conhecida
– Mulheres buscando mastectomia ou ooforectomia profiláticas

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