História do Leo

Em setembro de 2009, ao completarmos três anos de casados, eu e o Willian concordamos que estávamos em uma situação profissional, financeira e psicológica adequada para fazermos a família crescer. Antes de começar a tentar, consultamos uma ginecologista para saber dos preparativos adequados para a gravidez, do ponto de vista da saúde do casal. Infelizmente, em Paraty, onde trabalhamos e moramos, não há uma boa infraestrutura de saúde. Então, liguei para a maternidade e pedi a primeira consulta disponível em um sábado que a moça pudesse agendar. Por uma benção divina, havia uma vaga para a Dra. Carolina. A nossa primeira consulta já virou “causo” para os nossos amigos. Chegamos e nos sentamos, explicando o motivo da consulta. Depois que eu e a Dra. Carolina conversamos sobre os exames, ácido fólico e tudo o mais, foi a vez do meu digníssimo marido falar… Foi um interrogatório totalmente sem noção. Eu tinha vontade que o chão me engolisse de vergonha, enquanto o Willian continuava perguntando coisas como: Onde você se formou? Quando? Qual é sua especialização? Quantos partos você já fez? E a cereja do bolo: Quantos anos você tem?!?! Socorro, isso é coisa que se pergunte a qualquer mulher, mesmo que jovem? Ufa, graças a Deus que a consulta acabou. E a Drª Carolina foi educadíssima e muito segura em suas respostas para as questões esdrúxulas, conquistando a confiança do Willian. Parei de tomar anticoncepcional e viajamos juntos de férias para o Canadá. O país é lindo, as paisagens são maravilhosas, Quebec é um charme, Montreal e Toronto idem, mas, do ponto de vista de gerar filhos, é uma derrota… Portanto, primeiro conselho: passeie menos e namore mais. Ficar andando pela cidade o dia todo é divertidíssimo, mas, vai minar a sua disposição para o que interessa. Eu, que sempre tive pavor de engravidar antes da “hora certa”, me vi decepcionada, mês após mês, quando a minha menstruação vinha religiosamente na data esperada, sem dar nenhum sustinho de esperança com um dia que fosse de atraso. Depois de seis meses, começamos a ficar preocupados e fizemos alguns exames, apesar de que, até um ano, a demora é considerada normal. Nenhuma anomalia foi encontrada. Até que passou um ano de tentativas e… Nada. Então, começamos a tentar fazer o exame da histerossalpingografia. Ô exame difícil de conseguir vaga… Tentei em outubro, novembro, dezembro, janeiro, e nada! No dia certo do ciclo, nunca tinha vaga! Na consulta com a Dra. Carolina comentei que estava trabalhando 12 horas direto, com frequência, e que estava fazendo uma média de 80 horas extras todo mês. Ela, então, olhou bem para mim e falou: “É com uma rotina assim que você quer engravidar? Assim fica difícil!”. Eu não sabia se eu ria ou se eu chorava. Para completar, os horários meus e do Willian estavam bem desencontrados, com turnos diferentes. Entendi que eu precisava minimizar o meu estresse, se eu pretendia mesmo ter filhos… Em abril e maio os nossos turnos coincidiram e viajamos juntos na folga de seis dias depois do turno da noite. Foi aniversário do Willian e, no mês seguinte, o presente chegou! Quando eu fiz o teste da farmácia, e apareceram dois tracinhos, foi uma felicidade enorme! Daí em diante, foi só alegria… Não senti nada de enjoo, só bastante sono nos três primeiros meses. Na primeira ultrassonografia, já deu para ouvir o coração do bebê batendo. Que emoção indescritível, chorei, lógico! Ah! Esqueci de contar. Eu choro sempre… Grávida, então, parecia um dilúvio ambulante. Continuei trabalhando até 25 dias antes de o Leonardo nascer. Fui transferida do turno para o comercial, trabalhando sempre no turno da manhã. Cansei de ouvir conselhos para eu trabalhar menos, para eu não dobrar (trabalhar 12 horas), para eu andar devagar… Não adiantava nada, entrava por um ouvido e saía pelo outro, porque eu me sentia bem e até esquecia que estava grávida. Descobrimos que seria um menino com sete meses de gravidez. O nome já estava escolhido: Leonardo. Uma homenagem a um amigo muito amado que nos deixou cedo demais. A primeira previsão do nascimento do Leonardo era para a data do meu aniversário, dia 30 de janeiro. No entanto, ele resolveu se apressar um pouquinho e chegou com 37 semanas, no dia 11 de janeiro de 2012. Um dia memorável! Passamos as festas de final de ano no Rio. No dia 02 de janeiro, o Willian precisava voltar a trabalhar e eu pretendia fazer o mesmo. Fomos nos consultar com a Dra. Carolina e, para a nossa surpresa, eu já tinha dilatação. Sendo assim, eu teria que ficar no Rio… Mas não dava, eu tinha que lavar e preparar as roupas do Léo ainda! Não tinha nada para levar para a maternidade! Então, fomos a Paraty rapidinho e voltamos para o Rio. A minha mãe veio de Sete Lagoas – MG para ficar comigo esperando a hora do parto. Sempre preferi que o parto fosse normal, e Deus encaminhou para que tudo corresse bem e o parto pudesse ser feito dessa forma. Na quarta-feira, dia 11 de janeiro, fomos, eu e minha mãe, para uma consulta de monitoração, e a Dra. Carolina viu que a dilatação aumentou. Logo, havia chegado a hora de conhecer o Leozinho. Fui internada e liguei para o Willian para avisar que ele precisava vir. Deixamos um amigo de sobreaviso para acompanhá-lo, mas, ele achou que não havia necessidade… Na hora da verdade, o Willian confessou que mal conseguia sair da Vila e pegar o Ronan na Usina, de tão nervoso. Quando o Willian chegou, introduziram o remédio no soro e as contrações começaram a aparecer. Descemos para a sala de parto e a Dra. Carolina me perguntou se eu estava sentindo dor. Eu respondi que não, só um incômodo parecido com uma cólica menstrual. Na hora em que ela me examinou, viu que a dilatação estava quase completa, e perguntou de novo como estava a dor. Eu ri e falei que estava tudo bem… Ela ficou espantada e falou que nunca tinha visto isso antes, uma pessoa quase ganhando o neném e, quando, questionada sobre a dor, a pessoa ri! Mas, realmente, estava bem suportável mesmo. Quando a bolsa estourou, as contrações passaram a doer bastante, mas, nada insuportável, principalmente porque a dor era só no momento da contração, depois aliviava, e dava até para sorrir. Nesse momento, disse que já precisava da anestesia e a Dra Gisele fez a sua “mágica”. Depois de aplicada a anestesia, eu continuava conseguindo me mover e ajudar a empurrar, sem sentir dor. A equipe era toda muito divertida e atenciosa. O Willian esteve ao meu lado o tempo todo, coisa que no início da gravidez era impensável para ele, mas, a Dra. Carolina o incentivou durante toda a gravidez e conseguiu nos proporcionar mais esta alegria no nascimento do Léo. Rapidamente, o Leonardo nasceu, às 22h07. Dra. Carolina o levantou e me mostrou: olhos abertos, choro animado e rostinho lindo! Depois que a Dra. Gisela fez o primeiro exame e os primeiros cuidados com ele, ela colocou-o no meu colo e eu disse a ele as primeiras palavras que ele ouviu da sua mãe: “Seja bem-vindo meu filho, Deus te abençoe!” Andreia Pontelo Lopes de Carvalho Engenheira Eletricista, formada pela PUC-Minas, Licenciada pela CNEN como Operadora Sênior de Reator, Supervisora de Turno de Operação na Usina Nuclear de Angra 1, esposa do Willian, e o mais legal de tudo: Mãe do Léo!

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