História da Luiza

Conheci a Dra. Carolina através de uma grande amiga que ficou aos seus cuidados nas duas gestações. Impressionada com o carinho e a atenção dispensados dizia para mim mesma: “quando chegar minha vez, vou bater na porta desse consultório!”. Então, no final de 2013, quando eu e meu marido decidimos encomendar nosso bebezinho fui procurá-la para iniciar o acompanhamento pré-natal, com vacinas, exames e administração de vitaminas. Como para 99% das tentantes, essa fase de “tentativa e erro” gerou bastante ansiedade. A paciência e o comprometimento da Dra. Carolina, no entanto, foram essenciais para me trazer tranquilidade, me mostrando que não podemos exercer o controle sobre tudo mas que é possível, sim, aumentar as chances de sucesso com informação e disciplina. Em março do ano passado fomos enfim abençoados com a confirmação da gravidez. Ao longo de nove meses, tive apenas um momento de tensão relacionado a um pequeno sangramento nas primeiras semanas da gestação. Durou quinze dias. Voltava ao consultório, muito nervosa, mas tudo estava perfeitamente bem, indicando ser resultado da implantação do embrião no útero. Mesmo assim vivi o que a Dra. Carolina chamava de “culto ao sangramento”, pensando nele dia e noite, virando o Dr. Google do avesso, sofrendo a cada instante. Nas horas de insegurança, futuras mamães, fujam da Internet e das comunidades online! Não servem para nada, apenas para dissipar as tragédias. Agarre-se ao seu médico de confiança e siga em frente – e foi o que fiz! Depois desse marco, vivi uma gravidez muito plena e tranquila. Sentia-me muito bem, cheia de energia e disposição. Viajei, mantive a rotina de exercícios físicos moderados, cuidei do meu corpo sem neuras, namorei; curti amigos, trabalhei com afinco, fiz cursos pré-natais, saí com amigos. Fui ser feliz! O caminho para um parto normal O tema parto normal vs. cesárea começou a povoar as consultas a partir do sexto mês de gestação. Verdade seja dita: eu nunca sonhei com um parto normal antes de estar grávida, mesmo conhecendo muitas histórias felizes. Simplesmente achava que não era para mim. De fato, estava contaminada pela cultura de nosso país, onde parto normal não é regra, mas exceção. Tinha crenças de que morreria de dor até o fim, de que o bebê poderia entrar em sofrimento e de que, nem pensar passar de 40 semanas para esperar o bebê chegar. Temia a episiotomia e os efeitos que esse corte poderia trazer ao meu corpo. Achava tudo lindo em filme, não para minha realidade. Família e marido não acreditavam que eu pudesse encarar essa maratona: temiam que fosse atropelada pela minha ansiedade. Dra. Carolina, delicadamente, foi quebrando esses mitos e me encorajou a conhecer esse procedimento e a reconhecê-lo como uma possibilidade. Então, quanto mais eu lia e ouvia, mais me encantava com a possibilidade de dar à luz dessa forma. São tantos os benefícios para mãe e bebê! Mergulhei a fundo no universo do parto normal. Cerquei-me especialistas que pudessem aumentar minhas chances de viver essa experiência, como uma fisioterapeuta de parto (a maravilhosa Cíntia Porto, da equipe da Dra. Carolina, que me passou uma série de exercícios) e uma acunpunturista (que me ajudou não apenas a ter menos dores no ciático mas a estimular as contrações ao final da 40a semana). Assisti a filmes, conversei com amigos, li todos os livros e relatos que chegaram as minhas mãos. Sim, eu poderia tomar analgesia e ainda assim ter um parto ativo. Eu poderia, sim, não ser submetida a uma episio a menos que houvesse extrema necessidade. Eu poderia, sim, ter um plano de parto, com minha playlist de músicas preferidas, cercada pelas pessoas mais importantes e com minha bebê mamando em meio seio nos primeiros segundos de vida. Muitos sins e poucos senãos caso eu fosse abençoada com uma conjuntura que não impedisse a Luiza chegar dessa forma. Passei a me sentir empoderada e a desejar um parto humanizado. O meu forte desejo, consolidado semana após semana, se tornou de uma hora para outra uma nova provação. Haja yoga! Foi um exercício de paciência, já que a premissa do parto normal é aguardar a hora certa para tudo acontecer. A 40a semana se aproximava e eu não tinha contrações ritmadas. O tampão mucoso continuava lá, intacto. Nessa reta final, em que queremos mesmo é ter o bebê saudável em nosso colo, percebi como a decisão de esperar ou partir para uma cesárea dependia do comprometimento do seu médico com você. Seria muito fácil a Dra. Carolina me induzir a agendar uma cesárea para acabar com minha agonia e o fator surpresa dela e de toda sua equipe, que estavam de sobreaviso para a chegada da Luiza. Ao invés disso, minha obstetra me mostrou que valeria à pena aguardar mais um pouco, já que as minhas condições de saúde e as do bebê estavam perfeitas. Numa madrugada chuvosa de dezembro, com 40 semanas e seis dias, acordei com uma forte cólica. Parecia, de início, mais uma das contrações sentidas ao longo de sete dias e eu quase voltei a dormir. Quando me preparava para deitar novamente percebi que a bolsa havia rompido. Em poucos minutos, senti as contrações se repetindo com a frequencia esperada Era, enfim, a hora de seguir para a maternidade. Eu, oficialmente, havia entrado em trabalho de parto! Posso dizer, sem exageros, que vivi o parto que tanto sonhara. Se dói? Ah, é a maior dor do mundo! Não se engane. De rachar o corpo. Mas a beleza disso, minha amiga, é que você pode parar a dor quando quiser, até aguentar. E foi o que fiz. Segurei a dor por algumas horas debaixo do chuveiro e tomei a analgesia quando estava com cinco centímetros de dilatação. Pronto, me sentia incrivelmente bem. Andei pela maternidade; fiz exercícios com a fisioterapeuta na bola; dancei com meu marido a música de nosso casamento e até dei um jeitinho nas olheiras (!!!). Meu marido segurou minha mão até o final, apesar do medo de hospital. Meu pai, médico, assistiu à operação e segurou minha mão nos momentos de dor. A equipe médica me tratou com carinho e cuidado até o fim, sob o comando da Dra. Carolina, que não deixou eu perder um dedinho de minha segurança. “Vai, Fernanda, mais um pouco de força!”, ela dizia com entusiasmo. Quando a Luiza nasceu ecoando um choro abafado, abrindo seus olhinhos para o mundo e a boca em direção ao meu peito, meu mundo se abriu em cor-de-rosa. Tocava, ao fundo, a música “Luiza”, de Tom Jobim – nome escolhido para minha princesa. Não me lembro se alguém “produziu” essa trilha sonora para tocar justamente naquele momento, só sei que fomos todos tomados naquela sala de parto pela emoção. Transbordamos amor e ternura. Não há palavras para descrever a onda de felicidade que percorre o corpo ao segurar seu bebê bos braços.

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